Análise: Argentina mostra alternativas, mas ainda precisa encontrar time ideal

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Teste com Higuaín e Agüero juntos no ataque não funciona, mas seleção consegue impor blitz contra a Bolívia sem a presença de Messi. Lavezzi vira opção a Di María






Primeiro, aos fatos: a Argentina está acostumada a bater sem pena na Bolívia. Os últimos quatro jogos, contabilizando o desta terça-feira, aconteceram num intervalo de um ano – todos com Tata Martino no comando da seleção. O saldo é de quatro vitórias, 17 gols a favor e nenhum contra. Em Seattle, um 3 a 0 que mostrou alternativas dentro do elenco – o resultado foi todo construído numa blitz (12, 15 e 31 minutos) enquanto Messi ouvia o seu nome pedido pela torcida ainda no banco de reservas (veja os melhores momentos acima).


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Os hermanos terminaram a primeira fase como únicos com 100% de aproveitamento, mas isso não quer dizer que o time esteja pronto. Há, sim, opções de qualidade, especialmente do meio para frente. Gente como Lavezzi, que mesmo no futebol chinês, substitui Di María e Gaitán e é eleito o melhor em campo após participar dos três gols – sofreu a falta do primeiro, de Lamela, fez o segundo, e cruzou para Cuesta marcar o último. É uma espécie de Julio Baptista da primeira Era Dunga no Brasil – aquele que está sempre contribuindo, apesar das desconfianças.

Lavezzi é abraçado por Funes Mori: atacante participou dos três gols e foi eleito o melhor em campo (Foto: EFE)



Ou Kranevitter, de uma liderança técnica e de personalidade no meio-campo como se fosse Mascherano, poupado pelo risco de suspensão. Tem apenas 23 anos, não muitos minutos no Atlético de Madrid, mas já mostra que o futuro do setor argentino passa por ele. Na partida, de domínio absoluto, deu 110 dos 776 passes (recorde nas últimas três edições da Copa América) de sua equipe, com 95% de aproveitamento – números de Modric e Kroos no Real Madrid.

Biglia, no segundo tempo, também pôde mostrar que está recuperado e vira opção. Na defesa, Roncaglia se destacou... ofensivamente – afinal, ninguém foi testado de verdade. Cuesta marcou o seu primeiro gol, num lance em que provavelmente deixou Higuaín com inveja – o centroavante parecia desesperado para balançar as redes. A temporada magnífica que fez no Napoli (38 gols em 42 jogos) ainda não foi o suficiente para inspirá-lo no posto de homem-gol argentino.

Messi ficou todo o primeiro tempo no banco (Reuters)

Higuaín saiu no intervalo. Ele e Agüero atuaram juntos pela primeira vez na Era Tata - a última vez havia sido em Porto Alegre, nos 3 a 2 sobre a Nigéria, na Copa do Mundo de 2014. Não chegaram a bater cabeça, mas tiveram dificuldades para dialogar. O atacante do Manchester City atuou mais recuado, mas não tem a característica nem de um Banega, muito menos de Messi. E assim a parceria não funcionou. Só um parece ter vaga entre os titulares, seja no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 de Tata, ainda à procura das peças ideais para cada posição.

- Fizemos um primeiro tempo muito bom, em que conseguimos marcar a diferença. Depois nos custou quebrar a linha da Bolívia, mas seguimos controlando o jogo sem problemas. A bola circulou rápido. Fomos pacientes, mas não lentos. A bola ia para todos os lugares, estávamos jogando com os 11 jogadores. Eu vejo esse time fazendo progresso – disse Tata.

A Argentina voltou com Messi. Já não havia muito o que fazer, e este pode ser o argumento, mas o baixo rendimento foi um ponto negativo. Faltaram criatividade e movimentação para superar a linha de cinco bolivianos, destinados a não sofrerem nos pés do melhor do mundo. Sobraram, então, as jogadas de efeito: uma falta cobrada no contrapé, uma caneta no goleiro dentro da pequena área, uma tentativa de cobertura de muito longe, dribles de corpo.

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